... enquanto todo ser humano normal numa segunda-feira chega do trabalho e assiste o Juvenal Antena, ela resolve fazer aquela arrumação na casa que se negou a fazer no fim de semana, e, arrumar o guarda-roupas que mais parecia a "Faixa de Gaza" e esperava ansioso pelo trato prometido ha varios dias...
Ela reclamava todo-santo-dia que não tinha roupas para vestir e que lhe faltava tais e tais peças e já aproveitava e resmungava que está falida e não pode comprar roupas novas...
A preparação psicológica para enfrentar o monstro que dormia a portas fechadas dentro do seu próprio quarto durou semanas, e finalmente foi superada no momento em que o filho dela não achou mais um par de meia combinante, muito menos uma camiseta apresentável e ela se deu conta que na lavanderia não existiam roupas a espera da lavagem...
Resolveu organizar o “troço”.
Ela sentiu a nítida sensação de enxugar gelo. Quanto mais ela arrumava, mais bagunça aparecia.
A dor nas costas começava a dominar o ser que insistia na loucura de organizar o abstrato, e o retrato da insanidade deste ser que vos escreve grita a cada instante que aparecia mais uma calça preta de Oxford idêntica as 8 já dobradas, que já não usa mais, ou mais um vestidinho-vestleg-sei-lá-o-que, surge do buraco negro pra ser contabilizado num total surreal de 24 diferentes peças entre curtos, longos, frio, calor, pretos e coloridos onde amontoam-se num cabide que conseqüentemente amarrotam as 5 camisas bancas do cabide vizinho, espremidas num canto do armário... e ela resolve abstrair o fato das quase 40 camisetas inúteis que fazem figuração e volume no guarda-roupa superlotado pra sentir-se menos culpada e envergonhada de si.
Ela dá se conta que só pode ser louca da cabeça quando acorda de manhã e pensa que não tem nada para vestir...
(A consciência dela diz que ela precisa para o bem geral da nação participar da campanha do agasalho deste ano)

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