sábado, 4 de outubro de 2008

Por quê?

Enquanto ela arrumava a cutícula das unhas, deitada no sofá da vizinha da cobertura, elas mais uma vez promoveram um fórum filosófico desta vez sobre a diferença de amar, gostar e apaixonar-se. Para alguns, isso variaria em quase a mesma coisa, para outros não. Para elas são três coisas distintas dentro de um mesmo processo afetivo.
Apaixonar-se é pele, química e cheiro. É atração sem conhecer, sem saber, sem gostar. Tu te apaixonas pelo que tu idealizas. Tu sentes, apenas sente. Superficialmente carnal.
Gostar é a parte mais complexa e forte. É o que define. É onde pesa. É o parâmetro.
Tu gostas ou não gostas. De atitudes, manias, jeitos, cheiros, aparências etc... é o concreto.
Amar é uma escolha. É a conclusão que se chega depois da paixão e do balanço das coisas que gosto e não gosto em ti. Se o que “não gosto” for mais relevante do que “eu gosto” em ti, a paixão acabará em breve... Mas se o que “eu gosto” em ti for mais relevante do que as coisas que eu “não gosto” e estas por sua vez forem fáceis de serem relevadas, faço a escolha de te amar. Não se ama só perfeito. Não se ama aquilo que os olhos vêem.
Assim fazemos com tudo na vida. “Amo minha mãe, mas não gosto de certas atitudes que ela tem”. “Amo meu filho, mas não gosto de certas coisas ele faz.” Mas ama, e assim por diante.
Esses dias ela ouviu a pergunta: - Tu me amas por quê? – E ela não soube responder. Não tinha se dado conta do porque de amar, apenas sentia. Mas hoje ela sabe e sente que fazer a escolha de amar alguém indefere de tempo, regras, aparências.
Hoje ela sabe o por que.
Ela ama porque gosta, admira muitas coisas nele. E isso move a paixão que ela sente, move a vontade, une os corpos.
Hoje ela se deu conta de quanto, ou do por que.
Amo.

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